Sábado, 31 de Outubro de 2009

...

Adormecer na tua cama desfeita. Nos teus lençóis com bonecos infantis. Ao teu lado, também a cheirar ao teu tabaco. Acordar na manhã seguinte e não saber do tempo, nem do Tempo, nem de tempo nenhum. Estar perdida. Tu, à janela, e por detrás a cidade. Tu, uma nuvem de fumo. Será talvez essa indecisão que nos envolve. Não, nunca. Tu, a tua nuvem de fumo matinal. O teu cheiro. Eu, entre os lençóis, talvez nua. Ainda com os sonhos presos à pele. Tiras-me as ramelas e eu a ti, as tuas. Reparo que tens caspa, que tens defeitos, que nem sequer és bonito, que tens defeitos, que não és mesmo bonito. Mas afinal és bonito. És tão bonito. Mesmo quando tens borbulhas irritantes. És tão bonito. Eu não acho, a sério que não, mas sinto. Até a lavar os dentes quando estou sentada na sanita e tu me vês pelo espelho e eu vejo-te inteiro e cheiras a mentol e eu detesto e beijo-te à mesma porque continuas a saber a ti. Beijo-te. Deixarei recados no teu coração a desejar-te um bom dia quando me levantar mais cedo. Deixar-te-ei beijinhos no frigorífico, miminhos entre os atacadores dos all star da mesma cor que os meus. E da loucura, da minha loucura, só saberás ao anoitecer. Não haverá rotinas porque gostar de ti é gostar da vida e é sermos cada dia inteiros um do outro, metade-metade não porque gostamos ambos de ganhar. O amor pode ser uma merda qualquer, eu quero é esta vida contigo. Acordar de manhã e saber ao teu corpo. Tocares em mim como cordas da tua guitarra. Soprares-me paixão ao ouvido e morderes-me baixinho. Adormeceres-me como uma criança, no teu colo, perfeitamente tua e violável. Quero a minha fragilidade quando amanheces em mim. Quero o anoitecer dos teus braços à volta do meu corpo. A tua boca, na minha. Não quero a poesia. Nada. Quero-te a ti. Diariamente. Até nos silêncios, até na falta de palavras. Ouvir-te respirar. O som dos carros lá fora. O som da cidade. Os sons da cidade. Tu, tu, tu. Antes e depois de tudo. O teu silêncio. Os nossos silêncios. Encontrarmo-nos a meio deste caminho. Este caminho. O nosso avião vai até ao amor, mas faz escala na paixão. Aceitas a tese? Dorme comigo. Mais que uma noite. Eu canto para ti de manhã.

Dormimos juntos e não avançamos o calendário. Dormimos muitas vezes juntos no mesmo dia e é como se o tempo não passasse. Vivia assim contigo.


Sentido c-de-catia às 22:36
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